No Estado do Paraná é pensamento corrente que o Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) se trata de uma conquista reivindicada há bastante tempo pelos professores. Recentemente o Governador Requião declarou pretender a criação de uma Lei que visa a perenização do programa. Entretanto, acreditamos que alguns elementos importantes devem ser considerados para refletir sobre a validade deste mesmo.
Com o PDE os professores da rede estadual, que atingirem determinado nível do plano de carreira e aprovados em seleção, são dispensados da sua carga horária num primeiro ano para realização de disciplinas e num segundo ano são dispensados parcialmente para a realização de um trabalho final, na forma de artigo, que interfira de alguma maneira no contexto educacional. A realização destes pré-requisitos em dois anos proporciona ao professor que os concluir avançar salarialmente na carreira, mas este programa de formação é válido apenas para a rede estadual.
O tempo de duração do programa, dois anos, é o mesmo, por exemplo, da duração de um programa de mestrado acadêmico que o Estado poderia exigir que os professores o fizessem, em universidades públicas, para avanço salarial. Mas então qual a diferença do PDE e de um mestrado acadêmico? Por qual motivo investir recursos da Educação na criação de um programa que funciona quase que da mesma forma que os programas de mestrado já existentes nas universidades paranaenses? Respostas para estas questões, infelizmente, nos deixam entrever o pouco valor conferido aos professores.
O PDE tem o argumento de que a produção de um texto, com base no registro de experiência em sala de aula, da a este trabalho uma aplicação direta à Educação, diferente talvez das dissertações exigidas nos mestrados acadêmicos convencionais que são depositadas nas bibliotecas das universidades, que por isso são jocosamente chamadas de "grandes cemitérios brancos" ou depósitos da chamada "indústria dos papers", alusões à suposta inaplicabilidade das dissertações. Entretanto, não existe garantia de que os trabalhos do PDE acrescentem em qualidade. Soube de fonte segura que boa parte destes deixam muito a desejar e soube também que uma professora ao saber que a (SEED) estaria organizando uma coletânea com os trabalhos do PDE não gostaria de ter seu nome vinculado a um dos trabalhos que orientou pela baixa qualidade deste.
É queixa de alguns professores e orientadores que alguns alunos do PDE encaram este programa apenas como uma forma de ascender na carreira e não vêm nenhuma utilidade nas disciplinas que têm de fazer nem no trabalho que terão de escrever. Existem também relatos de professores que arranjam outras ocupações durante o período em que são dispensados e pedem que os docentes flexibilizem o registro de presença. Ouvi da boca de um professor que faz PDE dizer que contratou os serviços de um "assessor acadêmico" para a realização do projeto inicial e que, contente com os resultados, encomendou também a feitura do artigo final. A criação, e proposta de perenização deste programa, que a secretária Yvelise Arcoverde afirma que o Ministério da Educação assumirá como modelo nacional para a formação de professores, nestes moldes não é ganho para Educação.
O (PDE) pressupõe que os professores da rede pública paranaense não estão aptos a ingressarem em programas de formação acadêmica convencional, os quais têm critérios mais rígidos para o ingresso. Não é atoa que o antigo secretário de Educação do Paraná, Maurício Requião, chamava o PDE de "mestradinho". Assim, temos formação no diminutivo para, boa parte de, professores que têm interesse no diminutivo por esta mesma. Seria melhor que o governo deixasse os professores, interessados, cuidarem de sua própria formação incentivando-os a ingressarem nos programas de pós-graduação já existentes, interdisciplinares ou não , dos quais poderia exigir que o trabalho final fosse referente ao ensino de sua disciplina.
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