Osmar Frazão
O hino esquecido
13/10/2009 22:06:56
Há uma parte do Hino Nacional Brasileiro que o tempo apagou
Há uma mensagem circulando pela Internet que traz uma informação nova sobre o Hino Nacional brasileiro. Pelo menos uma informação que já andava quase esquecida das novas gerações. Na mensagem, uma simpática senhora nos faz uma revelação: a introdução do Hino Nacional, quase sempre executada apenas por um arranjo orquestrado, possui uma letra. E de versos magníficos. Apenas os mais velhos parecem se lembrar desta preciosidade, e a tal mensagem tem o mérito de trazer de volta este tesouro de nossa cultura.
O que nos explica Ana Arcanjo, a senhorinha do vídeo, é que antes do conhecido “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas” há uma letra, muito cantada no início do século pelos alunos, diariamente, nas filas de colégios por todo o país. Era um ritual, uma lição de moral e civismo, que nem sempre deveria ser percebida pelas crianças, mas que algo deixava em suas mentes, pois são fartos os relatos de indivíduos que viveram este tempo e que, ao serem perguntados pela letra da introdução do hino, lembram do fato com saudade.
Pois a letra que nos apresenta a senhora Ana Arcanjo é magnífica. Tenham em mente a música tocada antes do hino. Agora sobreponham a esta música a seguinte letra, vamos relembrar:
Espera o Brasil
Que todos cumprais
Com vosso dever
Eia avante, brasileiros,
Sempre avante!
Gravai com buril
Nos pátrios anais
Do vosso poder
Eia avante, brasileiros,
Sempre avante!
Servi o Brasil
Sem esmorecer
Com ânimo audaz
Cumpri o dever
Na guerra e na paz
À sombra da lei,
À brisa gentil
O lábaro erguei
Do belo Brasil
Eia sus
Oh, sus!
A simpática Ana Arcanjo, nascida em Santos, na região da baixada de São Paulo, que foi membro da Cruz Vermelha durante a Revolução Constitucionalista de 1932, prossegue explicando que buril é um objeto usado para retirar as imperfeições e arestas de uma peça, de porcelana, por exemplo, durante a sua confecão; e que “eia sus”, significa “ei, avante”; e que “lábaro” é a palavra para designar a bandeira, a nossa bandeira brasileira.
Eis então um pedaço de nossa história que ressurge da poeira dos tempos. Uma pesquisa na rede mundial de computadores esclarece que tal letra, de fato, não é inédita, mas estava quase que completamente esquecida, como tudo o mais o que existe neste país que não preserva suas origens. Na Wikipedia, a enciclopédia livre da Internet, encontrei a informação de que tal letra, excluída da versão original do Hino, é atribuída a Américo de Moura, natural de Pindamonhangaba, presidente da província do Rio de Janeiro entre os anos de 1879 e 1880. Como todos sabem, a letra do Hino Nacional é de Joaquim Osório Duque Estrada (1870-1927) e a música, feita originalmente para a execução de uma banda e conhecida como “Marcha Triunfal”, é de Francisco Manuel da Silva (1795-1865).
Como acho que já disse anteriormente, o Hino Nacional teve várias letras, uma para cada momento que o país passava: Primeiro Reinado, Segundo Reinado, República. Conhecer esta história é passear pela história do Brasil.
Mas resta uma pergunta: qual seria a razão da retirada destes belos versos da introdução de nosso hino? Quando aconteceu? Haveria algum motivo específico? É um assunto que vale uma detalhada pesquisa.
Quem tiver alguma pista, pode
deixar comentários aqui ou mandar um
e-mail para mim.
Enquanto isso, espalhemos então a lição que nos é passada por Ana Arcanjo, para nossos filhos e netos, e perpetuemos nossa história.
As opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais da
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Comentários:
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Giovani Miguez enviou (quarta, 14 de outubro de 2009):
Mestre Frazão: é sempre muito bons receber doses de história através das suas colunas. Adorei essa, em especial. Grande abraço,
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