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Opinião - José Alexandre

06/09/2010 00:16:10

Exclamações e Interrogações

24/04/2010 19:55:39

Já aventamos a possibilidade de que a adoção de um visual “careca” pelo papa Bento XVI, o tornaria a imitação quase que perfeita de Fester da Família Adams, o tio Chico, e poderia melhorar sua imagem midiática.

José Alexandre *
Ponta Grossa - PR

Novos tempos! Fiquei muito satisfeito ao ler a matéria “Enfim, um beato homossexual”, Carta Capital,19/04/2010, onde se noticia que em setembro o papa viaja à Inglaterra para a: “beatificação do cardeal teólogo John Henry Newman, o qual pediu para ser enterrado ao lado do amigão reverendo Ambrose St.-John. Quanto este morreu, o cardeal confessou que sua dor era igual à de um marido, ou de uma esposa.” A mesma também chama a atenção para a criação, na Áustria, de uma Associação destinada a educar filhos abandonados de padres heterossexuais. Será que são tão numerosos quanto às vítimas de padres pedófilos?

Humor negro! Já aventamos a possibilidade de que a adoção de um visual “careca” pelo papa Bento XVI, o tornaria a imitação quase que perfeita de Fester da Família Adams, o tio Chico, e poderia melhorar sua imagem midiática. Com o candidato à presidência José Serra, que a natureza já foi mais generosa, nem haveria o trabalho de raspar o cabelo. Este em vez de aproveitar sua similitude com o referido personagem, resolve posar para uma fotografia sorrindo, como vemos na capa de Veja de 21/04/10.

Antes tarde do que nunca!? Em “A remoção”, Isto é, 19/04/2010, narra-se episódios individuais da retirada de famílias das áreas de risco, no Rio de Janeiro, atingidas pelas chuvas. Trata-se de 4.500 residências condenadas. No mito bíblico do dilúvio o Deus dos hebreus encomendou a Noé que salvasse os justos, sua família, num barquinho antes das comportas dos céus se abrirem. Mas será que antes do trágico último 05/04, data das chuvas mais violentas dos últimos 40 anos no Rio, o todo poderoso não avisara a nenhum herói que salvasse as mais de 250 vítimas? Talvez tenha avisado algum fariseu.

Professores despreparados? Também em Veja de 21/04/10, o colunista Claldio de Moura e Castro se dedica a atacar más utilizações das teorias construtivistas, no meio educacional, até que com alguma coerência. Até que no frigir dos ovos solta uma pérola que vez por outra aparece na revista: “Os materiais detalhados são amplamente superiores às improvisações de professores sem tempo e sem preparo.” Independente de o colunista ter ou não a intenção de ofender a categoria, não é difícil perceber o quanto as condições de trabalho dos professores são encaradas em nossa sociedade como naturalizadas, pois podem bem ser utilizadas como justificativa de argumentos diversos sem a menor cerimônia.

Muito dinheiro? Na sua cruzada em defesa das diretrizes meritocráticas da educação paulista, o secretário Paulo Renato de Souza, na Folha de São Paulo de 22/04/10, constrói um emaranhado de justificativas, por motivo de outra reportagem da Folha acusar que o salário dos professores de São Paulo caiu de posição em relação a outros estados. No meio do novelo surge: “(...) na remuneração dos professores paulistas, é preciso considerar a bonificação por resultados e a política de valorização pelo mérito. Trata-se de muito dinheiro que vai para o bolso dos professores (...)”. Cinismo puro, na última frase, sujeito e objeto não combinam.

Greve política? Em O Globo, “Procurador vê ação anti-Serra de sindicato”, e na Folha de São Paulo, “Professor fez greve política, diz procuradoria”, ambos de 23/04/2010, vemos o parecer favorável, da Procuradoria-Geral Eleitoral enviada ao Tribunal Superior Eleitoral, a uma representação do PSDB e do DEM na qual consta que a greve dos professores paulistas teve motivos políticos, leia-se campanha anti-Serra. Loucura do procurador ou coisa pior. Mesmo que durante a greve o governador Serra não tenha sido pintado com belas tintas, a decisão sugere que professores não têm motivo para fazer greve.

Adendo: além de reivindicações salariais e de condições de trabalho, que, aliás, são motivos para qualquer rede de educação deste país entrar em greve, os professores paulistas protestavam contra o plano de carreira da categoria excludente implementado na gestão de Serra. Este faço votos não se eleja como presidente.

* É professor de História.

As opiniões expressas aqui são de exclusiva responsabilidade do autor e não necessariamente estão de acordo com os parâmetros editoriais da Revista Médio Paraíba. Publique seus textos também. Clique aqui e fale conosco.


Comentários:

  • Eliana Frantz enviou (sábado, 22 de maio de 2010):

    Caro colega, José Alexandre! Somente vi seu comentário, agora. Volto a afirmar: não gostei da forma como o assunto foi abordado, bem como, elogiei seu referencial bibliográfico. Desejo, que me entenda. Como escrevemos em uma revista universitária, seria salutar, que todos nós pensássemos em manter a Ética, como referencial, independente, do assunto abordado. Sou católica, mas não me julgo "devota". Sou cristã. E oro pelo bem comum. Assim como, também rezo por você. Quero o seu bem, mesmo não nos conhecendo. Sinto muito, que você não tenha entendido o meu recado. O meu objetivo é escrever, para que haja maior ajuda ao mundo. Assim, como você e outros colegas o fazem, através de seus artigos e opiniões próprias. Nosso dever, como transmissores do pensamento é cuidar, para que tudo seja visto, sim, mas de uma forma mais amena, sem gerar tanta polêmica. No caso de pedofilia, todos nós sabemos, mas nem tudo é preciso ser dito. Deixemos espaço para o Judiciário e a polícia, que trabalham tanto, para evitar que o perigo se alastre. Agradeço o alerta, em seu artigo. Mas continuamos a ter maneiras diferentes de ser e de se posicionar sobre "o foco" da questão a ser abordada. Obrigada, pela resposta. Att Att Jornalista Eliana frantz de macedo Matrícula Sindical nº 4839 DRT/RS

  • José Alexandre enviou (sábado, 22 de maio de 2010):

    Colegas devotos Eliana Frantz e José Carlos Paiva Bruno Confesso que alguns posicionamentos de vocês me assustaram: "E sobre a forma coloquial de dirigir-se ao Papa (um dos poderes do mundo), também deixou-me triste". É comum na imprensa se referirem a chefes de Estado como "Lula" ou "Obama" e nao vejo problema nisso. Na imprensa o humor também é comum: "Consternado diante de tantos escândalos sexuais, o Papa Bento XVI centímetros foi até a sacada do Vaticano e perguntou à multidão de fiéis na Praça São Pedro: `Tem culpa, eu?´. Vários sacristãos se ofereceram em sacrifício. Enciumados, os padres brasileiros não quiseram ficar atrás (mas depois trocaram). O Bispo de Arapiroca, quer dizer, Arapiraca, colocou na Internet um vídeo onde faz sexo com menores" Também não vejo falta de ética nisso. Importante: sou de formação cristã mas rejeito qualquer irmandade com Karol Wojtyla o protetor de figuras degeneradas como Marcial Maciel, padre mexicano que violentou inclusive filhos seus. A propósito, Igreja para mim é uma instituição absolutamente mundana, fossilizada e preconceituosa e preconceituosoa. Não vejo perspectivas de melhora. Ademais deixo links que mostram minha opinião sobre o tema, é sempre bom debater idéias de forma racional: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=590CID006 http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=589JDB014

  • Eliana Frantz de Macedo enviou (quarta, 19 de maio de 2010):

    Caro colega! Sou colunista da ECO LÓGICA, razão pela qual leio tudo o que é publicado em nossa revista. Fiquei surpresa com seu artigo, pois há dois pontos a ressaltar: 1) A coleta de informações, o que demonstra seu preparo como professor de História. 2) A falta de Ética, ao citar o Papa, políticos e compará-los com imagens de humor ou estórias infantis. Sinceramente, não achei de bom tom, pois como estudante de Direito, comunico-lhe que a Ética é pautada, acima de tudo, no respeito ao outro. O que você não o fez. Deixemos de lado, o ponto de vista político. Cada um tem o seu. E estamos em lados opostos, em relação ao tema "política". E sobre a forma coloquial de dirigir-se ao Papa (um dos poderes do mundo), também deixou-me triste, pois como professor de História, deveria ter mais cuidado como falar sobre autoridades. Hoje, isso é considerado "Dano Moral". Lastimo, que o que poderia ter sido excelente, tornou-se trágico. Att Jornalista Eliana frantz de macedo nº 4839 DRT/RS

  • José Carlos Paiva Bruno enviou (quarta, 19 de maio de 2010):

    Tenho observado um permanente sádico achincalhar da Santa Igreja e do Papa em seus escritos professor. Devo dizer-lhe que a condenável pedofilia, bem como o homosexualismo, não estão adstritos à Igreja, nem tampouco nunca foram premiados pela mesma. Sua forma desreipeitosa e indutiva leva-o ao ridículo. Somos todos homens civilizados, presumo. Comparar o Papa a um personagem ridículo, mostra um desequilíbrio inaceitável para uma Revista que diz-se Acadêmica. Somos todos irmãos em Cristo, conforme profetiza o Papa João Paulo II. Razão pela qual escrevo sinceramente, ponderando qual seja seu objetivo midiático ou criminoso. Como advogado alerto ainda o respeitável veículo, que inclusive publica alguns artigos meus, para a co-responsabilidade. Creio em Deus e no respeito mútuo, essenciais para que tenhamos amanhã! José Carlos Paiva Bruno Advogado pelo UBM Especialista MBA em Direito da Teconologia pela FGV Especialista em Docência Superior pela FOA

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