José Alexandre *
Ponta Grossa - PR
Novos tempos! Fiquei muito satisfeito ao ler a matéria “Enfim, um beato homossexual”, Carta Capital,19/04/2010, onde se noticia que em setembro o papa viaja à Inglaterra para a: “beatificação do cardeal teólogo John Henry Newman, o qual pediu para ser enterrado ao lado do amigão reverendo Ambrose St.-John. Quanto este morreu, o cardeal confessou que sua dor era igual à de um marido, ou de uma esposa.” A mesma também chama a atenção para a criação, na Áustria, de uma Associação destinada a educar filhos abandonados de padres heterossexuais. Será que são tão numerosos quanto às vítimas de padres pedófilos?
Humor negro! Já aventamos a possibilidade de que a adoção de um visual “careca” pelo papa Bento XVI, o tornaria a imitação quase que perfeita de Fester da Família Adams, o tio Chico, e poderia melhorar sua imagem midiática. Com o candidato à presidência José Serra, que a natureza já foi mais generosa, nem haveria o trabalho de raspar o cabelo. Este em vez de aproveitar sua similitude com o referido personagem, resolve posar para uma fotografia sorrindo, como vemos na capa de Veja de 21/04/10.
Antes tarde do que nunca!? Em “A remoção”, Isto é, 19/04/2010, narra-se episódios individuais da retirada de famílias das áreas de risco, no Rio de Janeiro, atingidas pelas chuvas. Trata-se de 4.500 residências condenadas. No mito bíblico do dilúvio o Deus dos hebreus encomendou a Noé que salvasse os justos, sua família, num barquinho antes das comportas dos céus se abrirem. Mas será que antes do trágico último 05/04, data das chuvas mais violentas dos últimos 40 anos no Rio, o todo poderoso não avisara a nenhum herói que salvasse as mais de 250 vítimas? Talvez tenha avisado algum fariseu.
Professores despreparados? Também em Veja de 21/04/10, o colunista Claldio de Moura e Castro se dedica a atacar más utilizações das teorias construtivistas, no meio educacional, até que com alguma coerência. Até que no frigir dos ovos solta uma pérola que vez por outra aparece na revista: “Os materiais detalhados são amplamente superiores às improvisações de professores sem tempo e sem preparo.” Independente de o colunista ter ou não a intenção de ofender a categoria, não é difícil perceber o quanto as condições de trabalho dos professores são encaradas em nossa sociedade como naturalizadas, pois podem bem ser utilizadas como justificativa de argumentos diversos sem a menor cerimônia.
Muito dinheiro? Na sua cruzada em defesa das diretrizes meritocráticas da educação paulista, o secretário Paulo Renato de Souza, na Folha de São Paulo de 22/04/10, constrói um emaranhado de justificativas, por motivo de outra reportagem da Folha acusar que o salário dos professores de São Paulo caiu de posição em relação a outros estados. No meio do novelo surge: “(...) na remuneração dos professores paulistas, é preciso considerar a bonificação por resultados e a política de valorização pelo mérito. Trata-se de muito dinheiro que vai para o bolso dos professores (...)”. Cinismo puro, na última frase, sujeito e objeto não combinam.
Greve política? Em O Globo, “Procurador vê ação anti-Serra de sindicato”, e na Folha de São Paulo, “Professor fez greve política, diz procuradoria”, ambos de 23/04/2010, vemos o parecer favorável, da Procuradoria-Geral Eleitoral enviada ao Tribunal Superior Eleitoral, a uma representação do PSDB e do DEM na qual consta que a greve dos professores paulistas teve motivos políticos, leia-se campanha anti-Serra. Loucura do procurador ou coisa pior. Mesmo que durante a greve o governador Serra não tenha sido pintado com belas tintas, a decisão sugere que professores não têm motivo para fazer greve.
Adendo: além de reivindicações salariais e de condições de trabalho, que, aliás, são motivos para qualquer rede de educação deste país entrar em greve, os professores paulistas protestavam contra o plano de carreira da categoria excludente implementado na gestão de Serra. Este faço votos não se eleja como presidente.
* É professor de História.
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